terça-feira, 28 de julho de 2015

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Ivo Fernandes

GTE - Esboço Esquemático e Técnicas



Técnicas Utilizadas (inspiradas):

Terapia Espiritual

A Terapia Espiritual baseia-se num conjunto de técnicas alternativas, porém prima pela simplicidade e praticidade com que é desenvolvida, visando um aprendizado sem nenhuma mistificação, nem mitificação. Não se utiliza nenhum tipo de instrumento para isto.
A Terapia Espiritual pode ser perfeitamente conciliada com qualquer outra forma de terapia seja, alternativa ou convencional.
O foco está no conhecimento de si mesmo, do mundo e do Divino, desenvolvendo-se através do discurso, da escuta, da oração e da meditação, com auxílio de técnicas como jejuns e retiros.

Psicanálise
Abordagem elaborada por Sigmund Freud. Um dos princípios dela é a associação livre, processo em que a pessoa é orientada a conversar sobre os mais variados assuntos, sem nenhuma censura, com seu analista. Este, por sua vez, ajudará o analisado a interpretar as informações, de modo a identificar dificuldades emocionais, traumas, medos e inibições. O divã é muito usado nessa terapia, pois impede a troca de olhares — evitando, assim, uma busca por sinais de aprovação ou quaisquer outras reações no rosto do terapeuta. Como o indivíduo passa a conhecer mais sobre si mesmo, ele amadurece emocionalmente e usufrui de mais qualidade de vida.

Junguiana

Conhecida como Psicologia Analítica, essa vertente foi desenvolvida por Carl Jung, um dos discípulos de Freud. Nela, são enfocados aspectos do inconsciente (principalmente os sonhos), assim como pensamentos coletivos que interferem na saúde emocional. Para extrair esses elementos, emprega-se não apenas o diálogo direto, mas também pinturas e diários para o registro de sonhos.

Lacaniana

Variação da psicanálise freudiana. Assim como sua predecessora, utiliza a livre associação para fazer com que o indivíduo reflita e encontre a solução para seus dilemas. Para o analisado, a diferença mais notável entre as duas abordagens diz respeito à duração da consulta: em vez de se pautar nos clássicos 50 minutos, Jacques Lacan (idealizador da abordagem) defendia que cada encontro com o analista deveria se desenvolver a partir de três momentos lógicos fundamentais — Instante de Olhar (que corresponde às entrevistas preliminares), Momento de Compreender e Momento de Concluir. A partir dessa estrutura, o especialista pode fragmentar a sessão conforme a evolução do paciente, fazendo com que ela dure poucos minutos ou mais de uma hora.

TCC

As terapias cognitivo- -comportamentais (TCCs) são voltadas ao combate de problemas específicos (como crises conjugais, timidez excessiva, dependência química, fobia social e crises de ansiedade), bem como auxiliar no tratamento de distúrbios psiquiátricos. Mais objetiva, reúne técnicas comprovadas cientificamente para tratar o problema em questão, as quais podem envolver conversas com pessoas específicas, exercícios de respiração e relaxamento, biblioterapia (indicação de livros), entre muitas outras.

Entrevistas Iniciais
·         
     Primeira conversa – Primeira escuta e explicações 
·         Anamnese
·         Carta Biográfica
·         Devolutiva

Sessões

        

GTE – GRUPO DE TERAPIA DAS EMOÇÕES


Terapia clínico-pastoral de grupo para pessoas que sofrem com alterações emocionais e, ou foram vítimas de abuso físico, mental e emocional em seus relacionamentos.
O Foco terapêutico é analítico e na espiritualidade, mas com interação de outros linhas terapêuticas.

O Programa

Os encontros do GTE são organizados de maneira que todos os envolvidos possam participar, mas ao mesmo tempo não se sintam obrigados a nada. São discussões disparadas por temas oriundos de textos, vídeos, etc., mas que visam despertar a abertura da fala dos participantes sobre seus anseios e problemas. A partir dessa abertura se construir um caminho terapêutico.
Para participar o interessado precisa passar por um atendimento individualizado para construção da anamnese. E a partir dela entrar no grupo. A anamnese pode se dá em apenas um encontro, mas pode ser necessário mais.
Após 10 sessões cada participante volta a ter um encontro atendimento individual.

Valores
O valor de cada sessão é simbólico – R$ 35,00 (trinta e cinco reais – por sessão)
O valor das sessões individuais da anamnese e do reencontro - R$ 50,00  (cinquenta reais)

Alguns dos muitos benefícios de um GTE
·         O GTE proporciona uma oportunidade para observar e refletir sobre a sua própria dinâmica social-emocional na medida que faz isso em relação aos outros.
·         O GTE proporciona uma oportunidade para se beneficiar tanto através de uma participação ativa como através da observação.
·         O GTE oferece uma oportunidade de dar e receber apoio imediato; sobre preocupações, questões e problemas que afetam a sua vida.
·         O GTE oferece aos membros suporte, em um ambiente confidencial.

O GTE enfatiza, de diferentes formas: a análise do processo social de construção dos sentido e das emoções; uma postura de co-construção entre todos os participantes; o olhar sobre os relacionamentos nos quais os participantes estão envolvidos e nos quais constroem determinados sentidos; uma atenção aos valores e aos resultados pragmáticos dos discursos que são construídos no contexto terapêutico; a multiplicidade de formas de descrever um problema; e um discurso de potencialidades positivas e de construção de realidades futuras


Tais propostas não devem ser consideradas como uma mero bate papo, mas como uma postura filosófica e espiritual através da qual buscamos ao mesmo tempo estar informados e mantermo-nos abertos aos processos terapêuticos. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Depressão na juventude


A depressão afeta em torno de 15% da população mundial e leva, anualmente, a 800 mil casos de suicídio. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde classificou a depressão como uma das doenças que mais causam incapacidade. É a 4ª numa lista de 5. Até 2020 terá ocupado o 2º posto.

Um estudo realizado no centro médico da Universidade Columbia, nos EUA, revelou que a depressão se intensifica de uma geração para a outra. De acordo com a equipe, cerca de 60% das crianças cujos pais e avós sofreram de depressão têm transtorno psiquiátrico antes da adolescência. O número é mais do que o dobro de casos (28%) observados em famílias sem histórico. Mas, a genética é predispositiva, não decisiva.

Entre os jovens é cada vez mais crescente o número de afetados. A juventude é a grande fase de descobertas, de experimentação de novos sentimentos e sensações. É o período onde as certezas são ameaçadas. O chão, outrora alicerçado pelos pais, aos poucos, passa a desvanecer-se sob seus pés, exigindo que ele, agora, construa seu próprio caminho.

Diante deste quadro, podem surgir então diversos comportamentos entre eles o comportamento suicida, que, por sua vez, pode ser dividido em gestos e tentativas suicidas. A depressão é, certamente, o diagnóstico psiquiátrico mais observado em adolescentes que tentam o suicídio. Desesperança, transtornos de conduta, consumo de drogas, disfunção familiar, eventos estressantes, abusos (físicos, sexuais ou psicológicos) e fatores biológicos podem ser considerados  os principais agentes causadores deste distúrbio.

Dentro dos ambientes religiosos costuma-se pensar que não existem depressivos, pois contraria a idéia de que Deus e depressão não podem habitar o mesmo indivíduo. Assim em vez dos clássicos sintomas, o que vemos nas igrejas e templos é euforia como garantia de felicidade. Desta forma a pergunta que temos que fazer não é simplesmente pelo quadro clínico, mas de fato pela verdade da alma.

Por falta de conhecimento e de diversos tabus e preconceitos os quadros depressivos dentro das igrejas só aumentam.

Há casos de depressão psicológica, depressão causada por deficiências químicas, casos agravados pelo medo de que seja algo espiritual.

O que se precisa entender é que é possível ser de Deus e experimentar depressão. A bíblia está cheia destes exemplos.

Em ambientes onde a humanidade como ela é em sua complexidade é negada as pessoa sentem-se ainda pior. Ou o ambiente ou esse indivíduo precisa mudar de ambiente para o bem de sua alma.

Infelizmente muito do que se ensina nestes ambientes religiosos são mais adoecedores do que boas-novas.
Assim meu conselho aos que já vivem nessa condição é que procurem mudar de ambiente. O lugar para alma é onde ela possa de fato se manifestar sem os medos decorrentes das doutrinas que amedrontam o ser. Para os que querem evitar tal condição ou mudem o ambiente e na impossibilidade mudem de ambiente. E para os casos já instalados não dispensar ajuda profissional.

8 de janeiro de 2011

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Psicanálise e Educação

Psicanálise e Educação: A Aplicação da Psicanálise à Educação



(BASTOS. Paulo R. da Silva)
Introdução:
Sigmund Freud foi um médico vienense que alterou o modo de pensar a vida psíquica. Sua contribuição é comparável a de Karl Marx na compreensão  dos processos históricos e sociais. Freud ousou colocar a interioridade do homem como problema científico. A investigação sistemática desses problemas levou Freud à criação da psicanálise.
Freud especializou-se  em Psiquiatria, e desde o início de sua prática médica usou a hipnose, para obter a origem dos sintomas. Posteriormente passou a usar o método catártico, e mais tarde desenvolveu a técnica de concentração. Com essa técnica, ele percebeu que as pessoas ficavam constrangidas ao tocarem em determinados assuntos, então ele chamou de repressão o processo psíquico que visa encobrir uma idéia insuportável.
Em 1900, no livro "A interpretação dos sonhos", Freud cria a primeira teoria sobre a Estrutura do Aparelho Psíquico. Essa teoria refere-se à existência de 3 instâncias psíquicas: inconsciente, pré-consciente e consciente.
Freud em sua prática clínica, descobriu que as neuroses eram na maioria das vezes pensamentos ou desejos reprimidos, que referiam-se a conflitos de ordem sexual, localizados nos primeiros anos de vida.
Freud postulou as fases do desenvolvimento sexual em: fase oral ( a zona de erotização é a boca); fase anal (a zona de erotização é o ânus); fase fálica (zona de erotização é o orgão sexual); fase genital (quando o objeto de erotização não está na pessoa, mas no outro).
No decorrer dessas fases ocorre o complexo de Édipo – acontece entre 2 e 5 anos, introduz os conceitos de ïd" e "superego[1]".
A função primordial da psicanálise  é integrar os conteúdos do inconsiente na consciência, objetivando a cura e o autoconhecimento.
Enfim, podemos dizer que a palavra chave da psicanálise é a Interpretação, pois é o que se usa para atingir seus objetivos.
Sigmund Freud:
Sigismund Schlomo Freud nasceu em 6 de maio de 1856, em Freiberg, Moravia (atualmente Pribor, Tchecoslovaquia), filho de Jacob Freud e sua terceira esposa, Amalia (vinte anos mais jovem que o marido). A familia falava alemão. Sigi, como era chamado por seus parentes, teve sete irmãos mais jovens.
A constelação familiar era incomum pois, dois meio-irmãos de Freud, Emmanuel e Philipp, tinham praticamente a mesma idade de sua mãe. Freud era ligeiramente mais novo que seu sobrinho John, filho de Emmanuel. Esta situação peculiar pode ter estimulado o interesse de Freud em dinâmica familiar, levando-o às suas posteriores formulações sobre o Complexo de Édipo.
O pai de Freud, um comerciante judeu de posses modestas, levou a família para Leipzig, Alemanha (1859), seguindo para Viena (1860), onde Freud viveu até 1938.
Aos 8 anos de idade, Freud lia Shakespeare e, na adolescência, ouviu uma conferência, cujo tema era o ensaio de Goethe sobre a natureza, ficando profundamente impressionado.
Abreviou seu nome para Sigmund Freud em 1877.
Pretendia estudar Direito, mas decidiu seguir Medicina, interessado na área de pesquisas. Ingressou na Universidade de Viena em 1873. Como aluno, Freud iniciou um trabalho de pesquisa sobre o sistema nervoso central, orientado por Ernst von Brücke (1876), e formou-se médico em 1881. Trabalhou na Clínica Psiquiátrica de Theodor Meynert (1882-83), estudando posteriormente com Charcot (Salpetrière), em Paris (1885).
De 1884 a 1887, Freud publicou vários artigos sobre cocaina.
Casou-se com Martha Bernays em 1886. O casal teve seis filhos (Mathilde, 1887; Jean-Martin, 1889; Olivier, 1891; Ernst, 1892; Sophie, 1893; Anna, 1895). Freud iniciou seu trabalho clínico, em consultório próprio, especializando-se em doenças nervosas. Seu interesse pela histeria foi estimulado pela hipnoterapia praticada por Breuer e Charcot (1887-88). Freud mudou-se para um apartamento em Bergasse 19 (1891), que 80 anos mais tarde veio a se tornar The Freud Museu Vienna (1971).
Freud e Breuer publicaram suas descobertas em Estudos sobre a Histeria (método catártico) em 1895; no mesmo ano, Freud conseguiu, pela primeira vez, analisar um sonho seu, conhecido posteriormente como "o sonho da injeção feita em Irma". Ele também elaborou o rascunho de 100 páginas manuscritas, que só foram publicadas após sua morte, sob o título de Projeto para uma Psicologia Científica (1950).
Nos cinco anos que se seguiram (1895-1900), Freud desenvolveu muitos dos conceitos que foram posteriormente incluídos na teoria e prática da psicanálise.
O termo "psicanálise" (associação livre) foi concebido por Freud em 1896. Após romper com Breuer, e passando por uma crise, devida à morte de seu pai, Freud iniciou sua auto-análise em 1897, ao examinar seus sonhos e fantasias, contando com o apoio emocional de seu amigo íntimo, Wilhelm Fliess.
A Interpretação de Sonhos ('Die Traumdeutung') , o qual Freud considerou como sendo o mais importante de todos os seus livros, foi publicado em 1899, com data de impressão de 1900, pois ele queria que sua grande descoberta fosse associada ao início de um novo século.
Seus pares, na área médica, ainda encaravam seus trabalhos com hostilidade e Freud trabalhava em completo isolamento. Iniciou a análise de sua jovem paciente Dora e Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana foi publicado em 1901.
Foi nomeado Professor na Universidade de Viena e fundou a "Sociedade das Quartas-feiras" em 1902 (reunião semanal de amigos, em sua casa, com o propósito de discutir os trabalhos que vinha desenvolvendo), a qual veio a se tornar a Associação de Psicanálise de Viena, em 1908.
Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, Os Chistes e sua relação com o Inconsciente, Fragmento da análise de um caso de Histeria ('Dora') foram publicados em 1905.
Por volta de 1906, um pequeno grupo de seguidores havia se formado em torno de Freud, incluindo William Stekel, Alfred Adler, Otto Rank, Abraham Brill, Eugen Bleuler e Carl Jung.
Sándor Ferenczi e Ernest Jones juntaram-se ao círculo psicanalítico e o "Primeiro Congresso de Psicologia Freudiana" teve lugar em Salzburg, contando com a presença de quarenta participantes de cinco países (1908).
Em 1909, Freud foi convidado por Stanley Hall para proferir cinco conferências, na Clark University (Worcester, Massachussets), baseadas nos seus seis livros previamente publicados (mencionados acima nesta biografia), e Cinco Lições de Psicanálise foi a versão alemã dessas conferências, publicada em 1910. Mesmo tendo sido essa sua única visita aos Estados Unidos da América, essa oportunidade marcou definitivamente sua carreira, ao atrair atenção mundial para seus trabalhos.
O movimento psicanalítico foi sendo gradativamente reconhecido e uma organização internacional, chamada "International Psychoanalytical Association" foi fundada em 1910. A revista de psicanálise "Imago" foi criada em 1912.
Conforme o movimento se difundiu, Freud teve que enfrentar a dissidência entre os membros de seu círculo. Adler (1911) e Jung (1913) deixaram a "Associação Psicanalítica de Viena" e formaram suas próprias escolas de pensamento, discordando da ênfase dada por Freud à origem sexual da neurose.
Início da Primeira Guerra Mundial (1914). Freud recebeu as visitas de Rainer Maria Rilke (1915) e André Breton (1921).
A primeira parte das Conferências Introdutórias sobre Psicanálise foi publicada em 1916. "The International Journal of Psychoanalysis" foi criado em 1920.
Freud descobriu que sofria de cancer da boca em 1923 e, mesmo assim, manteve-se produtivo, durante dezesseis anos, tolerando tratamentos constantes e dolorosos e resistindo a 33 cirurgias.
Os primeiros volumes da Coletânea das Obras de Sigmund Freud surgiram em 1925, época em que estava com sérios conflitos com Otto Rank, devido à teoria do trauma do nascimento. Freud foi agraciado com o "Prêmio Goethe de Literatura", em 1930 e foi eleito Membro Honorário da "English Royal Society of Medicine" (1935).
Hitler tornou-se o chanceler do Reich (1933). A Gestapo investigou a casa de Freud; prendeu e interrogou sua filha Anna durante um dia inteiro. Ameaçado pela ocupação nazista da Áustria (1938), Freud emigrou para a Inglaterra com sua família. Quatro irmãs dele (Rosa, Mitzi, Dolfi e Paula), todas com quase 80 anos, foram deportadas para campos de concentração onde morreram. Por um curto espaço de tempo, ele residiu em 20 Maresfield Gardens, local que 48 anos mais tarde veio a se tornar o Freud Museum London.
Sigmund Freud faleceu aos 83 anos de idade, no dia 23 de setembro de 1939, em Londres.Seu duradouro legado teve grande influência na cultura do século XX.
A aplicação da Psicanálise à Educação:
Foram pelo menos três as direções tomadas pelos teóricos interessados no casamento da Psicanálise com a Educação:
  1. A primeira tentativa de criar uma nova disciplina, a Pedagogia Psicanalítica, empreendida principalmente por Oskar Pfister e Hans Zulliger, na Suíça no início do Século XX.
  1. A segunda constitui no esforço a que se dedicaram alguns analistas para transmitir a pais e professores a teoria psicanalítica, imaginando que estes, de posse desse conhecimento, pudessem evitar que as neuroses se instalassem em seus filhos e alunos. Anna Freud, a filha do Freud, foi a principal representante desse grupo.
  1. A terceira direção, mais recente, não diz respeito ao exatamente casamento da Psicanálise com a Educação. Trata-se de uma tentativa mais difusa de transmitir a Psicanálise a todos os representantes da cultura interessados em ampliar a sua visão de mundo. Iniciou principalmente na França dos anos 60.
A difusão das idéias freudianas:
Freud é  o responsável pela descrição do desenvolvimento afetivo-emocional das crianças. Esse desenvolvimento começaria com uma:
  1. Fase Oral (0 ao 1 ano de idade) Þ Predominam os interesses ligado a boca (amamentação, sucção).
  1. Fase anal (2 aos 03 anos de idade) Þ Predominam os  interesses ligados ao prazer de defecar e de manipular as fezes.
  1. Fase Fálica (04 aos 05 anos de idade) Þ A criança passa a se interessar pela existência do pênis.
Tais fases se relacionam á predominância de uma determinada pulsão parcial, responsável  pelo interesse a ela correspondente.
Freud queria que sua teoria constituísse entre outras coisas, um modelo de construção de processos através das quais os  indivíduos se tornariam um ser sexuado.
Uma de suas descobertas mais importantes foi à idéia de que a sexualidade se constrói, não sendo determinada pela Biologia, os homossexuais estão para comprová-lo.
Anna Freud
Por ter vivido durante praticamente todo o século XX, Anna Freud pôde observar as mudanças no mundo e, consequentemente, no comportamento da sociedade. Nasceu em Viena, em 3 de dezembro de 1895, justamente o ano ao qual Freud - que apenas iniciava sua carreira de médico - atribuiu sua descoberta sobre o inconsciente e o significado dos sonhos. Seu nome foi uma homenagem a Anna Lichtein, filha de um professor que, mais tarde, se tornou grande amigo de seu pai. Freud nunca escondeu seu desapontamento por ter tido uma menina, ao invés de um filho varão. Um lacônico telegrama foi o suficiente para comunicar o nascimento da criança a Wilhelm Fliess, amigo íntimo e médico com o qual se correspondia constantemente.
Anna cresceu tendo que dividir a atenção do pai com a psicanálise e mais os seus cinco irmãos mais velhos, com os quais não tinha um relacionamento muito bom. Sua maior disputa em criança foi com a irmã Sophie, dois anos e meio mais velha do que ela. Tentou, de todas as formas, equiparar-se à bela imagem projetada pela irmã, mas não conseguiu levar vantagem em nenhuma das tentativas, qualquer que fosse a área. A família costumava referir-se às duas como "a bela e o cérebro". Ao se casar Sophie, em 1913, Anna teria escrito ao pai: "Estou feliz com o casamento de Sophie. Nossa eterna disputa era um tormento para mim".
Tampouco com a mãe Anna conseguiu estabelecer um vínculo afetivo forte, muito ao contrário do forte relacionamento criado entre ela e o pai. À medida que ela crescia, ele foi-se orgulhando dos abrangentes e profundos interesses intelectuais da filha. Em 1913, quando Anna tinha 18 anos, Freud, já com 57, escreveu a um colega: "Meu companheiro mais próximo será minha filha mais nova, que, no momento, está-se desenvolvendo muito bem". Anna se tornou sua companhia mais constante, sua confidente e colaboradora profissional. Passou a estudar com o pai e a se dedicar com afinco à psicanálise. Era uma aluna brilhante, participava de todos os encontros da sociedade psicanalítica de Viena, sempre acompanhada pelo eminente pai.
Apesar de ter tido admiradores que lhe juravam "amor eterno", Anna nunca se casou. Dedicou-se ao pai e à psicanálise. Cuidou dele com devoção, principalmente em seus últimos anos de vida, quando Freud lutava contra um câncer de mandíbula. Seguidora de suas teorias e do movimento psicanalítico, tornou-se, após a morte dele, a principal guardiã de sua memória e de suas descobertas científicas. Foi a partir daí que sua carreira ganhou ímpeto.
Anna começou, desde cedo, a fazer parte do mundo da psicanálise. Quando tinha apenas 19 meses de vida, teve um sonho que acabou ficando famoso, pois seu pai o usou para ilustrar a teoria da "realização do desejo". Os comentários apareceram mais tarde em seu renomado livro, "Interpretação dos Sonhos" (1900), onde Sigmund Freud fez sua primeira tentativa de construir o que poderia ser um modelo do aparelho psíquico. Anna, bebê, após uma indisposição digestiva, havia sido colocada na cama ainda com fome. Nessa noite, aparentemente sonhando, gritou pedindo "morangos" e outras guloseimas.
Cresceu no famoso endereço da rua Berggasse, 19, onde ficou até que a família, por ser judia, foi forçada a fugir da ocupação nazista, em 1938, refugiando-se em Londres, na Inglaterra. Em criança, Anna só se interessava por histórias e contos relacionados a fatos verídicos. Caso contrário, sua atenção se dispersava, relataria mais tarde em seus trabalhos. Aos 6 anos de idade, em 1901, começou a freqüentar uma escola particular, o "Cottage Lyceum", em Viena. Não gostava da escola, aborrecia-se nas aulas, a ponto de sua inquietação lhe valer o apelido de "diabrete negro". Anna sempre afirmou que a escola de pouco lhe servira. O que aprendera na infância e adolescência tinha sido em sua casa e, em particular, nas visitas de seu pai. Aprendeu várias línguas hebraico, alemão, inglês, francês e italiano. Formou-se aos 17 anos. Por ser ainda muito jovem, não se tinha decidido pela carreira que desejava seguir, indo à Itália para descansar. Três anos mais tarde, Anna se torna professora primária. Durante longo tempo, lecionou no "Cottage Lyceum", onde estudara, trabalhando com alunos de 3ª, 4ª e 5ª séries. Segundo a direção da escola, Anna tinha "um talento especial para o magistério". Queriam que ela assinasse um contrato de 4 anos, a partir de setembro de 1918, e ela o fez. No entanto, em janeiro de 1917, contraiu o bacilo da tuberculose. Isto fez com que ficasse três semanas de licença, deixando-a muito suscetível a outras várias enfermidades que, no futuro, afetariam sua tão auspiciosa carreira de professora.
Tinha acesso irrestrito ao trabalho de Freud, pois era quem traduzia seus artigos. Sua infinita devoção e grande admiração intelectual pelo pai aproximou-a da psicanálise, particularmente da psicologia infantil. Foi nessa época a década de 1920 que os psicanalistas davam os primeiros passos sistemáticos na observação do comportamento infantil, estudando detalhadamente todas as suas formas. Anna, muito interessada na área, tornou-se psicanalista mesmo sem possuir um diploma em Medicina, fato raro na época. Em dezembro de 1920, a família cai vítima da epidemia de gripe espanhola, que ceifou a vida de Sophie, sua irmã mais velha. Foi então que Anna abandonou definitivamente o magistério, para não contaminar os demais membros da escola. Com isso, teve tempo para se aprofundar, de corpo e alma, em sua formação analítica.
Após ter recebido alta da análise, tendo seu pai como psicanalista entre 1918-1922, apresentou-se como voluntária no Lar de Crianças "Baumgarten Home", que cuidava de órfãos judeus ou crianças carentes e sem um lar em decorrência da 1a Guerra Mundial. Foi nesse Lar que Anna passou a se reunir com colegas e vários dirigentes de entidades para intercambiar informações sobre as experiências com tais crianças, em sua maioria, vitimadas por acontecimentos traumáticos.
O câncer do pai, em abril de 1923, e a longa série de operações que se seguiriam, fizeram-na renunciar ao projeto de mudança para Berlim, começando a tratar de crianças, tarefa à qual, a partir de então dedicaria essencialmente a sua existência. Anna sentiu que devia permanecer ao lado do pai, pois, além de este estar contraindo empréstimos entre os amigos, sua enfermidade era séria. Escreveu em seus diários, "agora, nada me faria sair de seu lado". E foi então que começou a atender alguns dos pacientes do pai, adultos e crianças, além de traduzir suas obras e ajudá-lo a melhor articular os trabalhos novos em que se envolvera.
Em 1925 abriu, juntamente com Dorothy Burlingham - uma psicanalista americana que descobriu sua própria vocação quando entregou os filhos aos cuidados analíticos de Anna - uma primeira creche para crianças com problemas emocionais. Juntas, fundaram duas escolas experimentais: a Jackson Nursery, em Viena, e, posteriormente, a Hampstead War Nursery, em Londres.
Com a subida de Hitler ao poder, Freud e vários outros psicanalistas judeus tiveram suas obras publicamente queimadas na Alemanha, em 1933. Nos anos que se seguiram, a ameaça nazista provocou a emigração em massa dos membros da comunidade psicanalítica de Viena, que era, em sua grande maioria, judia. Enquanto todos procuravam escapar da cidade, os planos de Anna e do pai eram manter o Centro de Orientação Infantil da Sociedade Psicanalítica de Viena em funcionamento, tentando manter a normalidade até onde isso fosse possível. A Anna preocupava a idéia de que seu pai pudesse ser submetido a ofensas à sua dignidade, como um mandado de busca e apreensão, em casa, ou coisas do gênero. Na época, filiou-se ao conselho editorial do American Journal Psychoanalytic Quarterly onde publicou, em 1935, uma edição dedicada a seu trabalho em Viena, intitulada "Uma análise da criança".
Mas a família Freud permaneceu em Viena até o dia da Anschluss, a anexação: em 12 de março de 1938, Hitler invadia a Áustria. Logo no dia 15, a polícia realizou buscas na casa de Freud. No dia 22, Anna foi detida durante algumas horas pela Gestapo. Conseguiu convencê-los a deixar que a família abandonasse Viena. Em 4 de junho, pôde enfim deixar a cidade com seu pai, encontrando refúgio em Londres, em Maresfield Gardens, n º 20. Em 23 de setembro de 1939, já bastante doente e idoso, aos 83 anos, Freud morre do mesmo câncer de mandíbula que o fizera padecer durante 16 anos.
Foi no bairro londrino de Hampstead que, em 1940, Anna retomou suas atividades com Dorothy Burlingham, na Hamps-tead Nursery, que, depois do fim das hostilidades, seria substituída pela Hampstead Clinic. A carreira de Anna floresceu e acabou dando origem a um movimento neo-freudiano, denominado a "Psicologia do ego". Os "annafreu-dianos" - como ficaram conhecidos seus seguidores - aceitam as premissas básicas da psicanálise, apenas modificando ou ampliando alguns dos aspectos da teoria e técnica psicanalítica tradicional.
Delicada e humana, Anna Freud possuía uma "encantadora sobriedade". Sempre ativa, promoveu, na década de 1960, ciclos de conferências sobre a criança e publicou, em 1965, Infância normal e patológica. Morreu em Londres, em 1982. Abandonara, desde 1970, suas responsabilidades frente à Hampstead Clinic, que depois de sua morte teve o nome mudado para "Centro Anna Freud".
De 1950 até falecer, Anna Freud publicou uma série de livros, proferiu palestras e cursos pela Europa e Estados Unidos, recebendo homenagens, condecorações, placas e títulos. Segundo ela, porém, sua vida nunca estimularia livros biográficos, "uma vez que não teve muita ação", como costumava dizer. E Anna Freud concluiria, em um de seus discursos: "E tudo o que vivi poderia ser resumido em uma só frase: passei a vida entre crianças".
Um início promissor
A vida profissional de Anna começou em 1914, quando iniciou sua formação para o magistério primário. Embora curta, sua carreira nessa área foi de extrema importância, por ter servido de base para o trabalho pioneiro que iria desenvolver no campo da psicologia infantil. Quando, em 1918, começou sua formação psicanalítica, tendo por analista seu pai, era uma jovem insatisfeita com a profissão e consigo mesma. Analisar a própria filha era uma conduta inusitada, já que o terapeuta deveria ser neutro e objetivo. Este fato chocou os colegas de Sigmund Freud, pois, de acordo a suas próprias teorias, o "pai-analista-da-filha" não podia ser objetivo. Como se sabe, para a psicanálise, a teoria do interesse sexual de uma criança pelo genitor do sexo oposto é considerada ocorrência normal. Mas, quando em 1922, Anna publicou sua primeira tese: Lutando contra fantasias e sonhos diários, seus colegas começam a levá-la a sério. No ano seguinte, assume oficialmente as responsabilidades de secretária e representante do pai, além de secretariar o recém-criado Instituto de Formação Psicanalítica de Viena. Começou, também, a clinicar em psicoterapia, numa época em que as teorias de Freud ainda provocavam uma forte oposição entre médicos e psicólogos mais acadêmicos e conservadores.
Em 1925, como vimos acima, começa a trabalhar com Dorothy Burlingham em creches especiais para crianças com problemas emocionais. À medida que Anna analisava um número crescente de crianças, ficou patente que sua técnica de terapia infantil era diferente da que o pai usava com adultos. Isto muito o agradou. Ela recorria a técnicas muito diferenciadas, refutando a análise paterna do "Pequeno Hans". Sigmund Freud dizia que os "sintomas nos dão a orientação e a segurança ao fazer os diagnósticos". Mas, como observava Anna, os sintomas infantis não são iguais aos dos adultos.
Em 1927 publicou Introdução à Técnica da Análise da Criança. Começava a se opor a Melanie Klein, líder da escola inglesa, dizendo acreditar que a terapia das crianças devia ser mantida dentro de uma dinâmica "pedagógica". Seu trabalho mais notável foi O Ego e os Mecanismos de Defesa, publicado em 1936. Foi nessa obra que sua visão da psicanálise infantil começa a caminhar para a adolescência. Esse livro tinha três propósitos. Primeiro, analisar e rever, de forma geral, as descobertas técnicas e teóricas que ensinavam os psicanalistas a dar igual consideração clínica ao id, ao ego e ao superego. Em segundo lugar, rever os mecanismos que seu pai isolara e descrevera, elaborando-os e os resumindo. Por último, incorporar os mecanismos de defesa à experiência que acumulara, até então. Ela consegue terminar o livro a tempo de apresentá-lo ao pai, em seu 80º aniversário.
Nesse livro Anna expõe sua teoria dizendo que o foco da psicanálise não deveria ser os conflitos do inconsciente, mas sim a pesquisa do ego, também chamado de "sede de observação". Na psicanálise, o ego é a parte do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa. Serve de mediador entre os impulsos instintivos e a realidade. No livro, Anna elaborou sobre uma variedade de mecanismos de defesa psicológicos, sendo, os principais, repressão, negação, racionalização, comportamento reacionário, isolamento, projeção, regressão e sublimação. Estes permitem ao ego eliminar a ansiedade e habilitam o funcionamento psicológico original do indivíduo. Sem dúvida, esta obra foi uma contribuição pioneira no campo da psicologia do ego e de grande utilidade para a compreensão mais profunda do adolescente.
Para Anna, as crianças sempre foram sua razão de ser. Ela desenvolveu o modelo de estudo sistemáti-co de sua vida emocional e mental. Em 1947, fundou em Londres a Clínica de Terapia Infantil Hampshead, importante centro de pesquisas e treinamento para psicanalistas, dirigindo-a até sua morte. Lá, logo começou a trabalhar no berçário de Hampshead, como psicanalista de crianças. Durante a 2ª Guerra Mundial, Anna Freud e sua colega, Dorothy Burlingham, escreveram três livros baseados em seu trabalho nos berçários, que consideravam verdadeiro laboratório para o desenvolvimento infantil. Na realidade, era um abrigo para 80 crianças, a maioria separadas dos pais, que haviam perdido casas e pertences nos bombardeios nazistas. Os três livros eram "Jovens em tempo de guerra" (1942), "Crianças sem família" (1943) e "Guerra e crianças" (1943). As duas colegas descreveram o tratamento adequado para crianças separadas de suas famílias e submetidas às condições estressantes da guerra. Em 1943, Anna Freud fundou a famosa "Clínica Hampshead", na Grã-Gretanha, onde planejava estudar o efeito da guerra sobre as crianças. Foi pioneira no diagnóstico do desenvolvimento da criança sob estresse, que acarreta distúrbios mentais. Anna visava adaptar a criança à realidade, mas não necessariamente como uma revelação do conflito inconsciente. Trabalhava junto aos pais e acreditava que a terapia devia ter uma influência educacional positiva na criança.
Em 1951, fecharam-se os berçários de Hampshead. Dois anos mais tarde, Anna fundou a "Terapia Infantil de Hampshead", que se tornou o maior centro do mundo para tratamento psicanalítico infantil, mudando e talvez salvando a vida de inúmeros jovens problemáticos, com distúrbios mentais. Treinou muitos profissionais competentes em terapia infantil e teve muita notoriedade e influência na psiquiatria, de modo geral. Muitos colegas a consideravam a sucessora do pai; psicanalistas americanos a elegeram "a maior, em experiência clínica, de seu tempo".
Anna Freud questionava velhas teorias que se baseavam na noção de que o desenvolvimento saudável de uma criança dependia de uma rígida disciplina. Através das ferramentas da psicanálise, tratava as neuroses infantis interpretando seus sonhos e suas brincadeiras. Seu livro, "Normality and Pathology in Children" (Normalidade e Patologia nas Crianças), de 1965, é um resumo abrangente de seu pensamento, estudo e método de tratamento.
Sua contribuição à terapia e à psicologia infantil foi, sem sombra de dúvida, imensa. Ela demonstrou quão válidas eram as reconstruções que seu pai fizera sobre o desenvolvimento e a patologia infantil, através de suas sessões de análise, mas foi muito além disso. Acrescentou muito ao que já se sabia, através da observação direta das crianças. Anna influenciou muito a atenção futura que seria dada a estas, principalmente à criança e ao adolescente institucionalizados, separados de seus pais e desprovidos de laços afetivos. Não gostava de publicidade, recusando vários convites para ser entrevistada. Seu maior receio era que talvez pudessem afetar seus pacientes e interferir em seu tratamento. Seu trabalho vinha em primeiro lugar e sua dedicação a este era absoluta.
Anna Freud teve um papel revolucionário na psicologia infantil, tanto quanto seu pai o teve na de adultos. Foi condecorada com um certificado de honra pela Universidade Hebraica de Jerusalém, no "Bedford College", em 14 de julho de 1976
Os casamentos da Psicanálise com a Educação:
Oskar Pfister, nascido na Suíça, em 1873, foi um pastor protestante que encontrou na Psicanálise um instrumento auxiliar na educação de jovens em sua paróquia que dirigia em Zurique.
Para Oskar Pfister a Pedagogia Analítica era uma pedagogia que poderia descobrir as "inibições prejudiciais ocasionadas pelas forças psíquicas inconscientes", para poder reduzi-las e dominá-las, submetendo-as à "vontade da personalidade moral".
No pensamento de Pfister, duas orientações são bastante claras: o educador deve funcionar como analista, ao mesmo tempo em que deve lembrar-se de perseguir um fim moral.
A Psicanálise até hoje nunca se casou verdadeiramente com a Educação. Na verdade, Psicanálise tem comparecido aos encontros marcados na condição de mestre, de transmissor de verdades sobre a criança que ela julga serem desconhecidas pela Educação.
"O sonho Freudiano, que era de colocar a Psicanálise a serviço de todos, acabou por fazer de análise, paradoxalmente, pelo viés institucional, um instrumento de dominação e de seleção".
Catherine Millot dedicou-se ao estudo das relações entre a Psicanálise propondo-se a responder a três questões:
  1. Pode haver uma educação analítica no sentido de a educação ter uma perspectiva profilática em relação às neuroses?
  1. Pode haver uma educação analítica no sentido de visar aos mesmos fins de um tratamento psicanalítico?
  1. Poder haver uma educação psicanalítica que se  inspire no método psicanalítico e o transponha para a relação pedagógica?
Conclusão:
Psicanálise e Educação, é a aplicação de teorias psicanalíticas na escola, não como método para substituir os já existentes, mas como instrumento de auxílio na solução dos problemas da prática educacional.
Bibliografia:
ABRÃO, J. L. F. (2001). A história da Psicanálise de crianças no Brasil. São Paulo: Escuta.
COUTO ,M.J.B.D'E. Psicanálise e educação- A sedução e a tarefa de educar. São Paulo: Avercamp,2003.
CUNHA, M. V. (1995). A educação dos educadores:da Escola Nova à escola dehoje. Campinas: Mercado de Letras.
FREUD, S. [1895] Projeto para uma psicologia científica In: Ed Standart Brasileira daObras Completas de Sigmund Freud. 2ed. Rio de Janeiro : Imago, 1974
LOPES, E. M. T. & GALVÃO, A. M. O. (2000)História da Educação. Rio de Janeiro: DP&A.
MENDONÇA FILHO, J. B. de (1998). Ensinar: do mal-entendido ao inesperado da transmissão. Em: E. M. T. Lopes (Org.). A psicanálise escuta a educação (pp. 71 -106). Belo Horizonte: Autêntica.
MOKREJS, E. (1987). Psicanálise e Educação. Arthur Ramos: Um episódio da história da educação no Brasil. Revista da Faculdade de Educação, 13 (1), 91-104.
RAMOS, A. (1934). Educação e Psicanálise. São Paulo: Nacional.
RAMOS, A (1947). A criança problema. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil (Trabalho original publicado em 1939).
SAGAWA, R. Y. (2002). Durval Marcondes. Rio de Janeiro: Imago. (Pioneiros da Psicologia Brasileira, 11).
SILVA, A. S. R. (1998). Cuidando do futuro do Brasil: infância, educação e higiene mental na obra de Arthur Ramos. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Psiquiatria, Rio de Janeiro.

[1] O "id" é regido pelo príncipio do prazer; o "ego" é regido pelo príncipio da realidade; o "superego"origina-se com o Complexo de Édipo, a partir da internalização das proibições.
http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/psicanalise-e-educacao-a-aplicacao-da-psicanalise-a-educacao-2108139.html
Perfil do Autor

Professor - Historiador CES/JF, Pós Graduação Ciências Humanas: Brasil – Estado e Sociedade / UFJF, Conselheiro Municipal FUNDEB e Conselho de Assistência Social / PJF - Juiz de Fora

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O tempo em análise!!!

Por Ana Aparecida Nascimento Martinelli Braga
Psicanalista (Pós-Graduada PUC/RJ) Psicóloga Clínica
O tempo é um tema que vem há vários anos sendo debatido como um tópico polêmico e controvertido dentro da Psicologia e sobretudo dentro da Psicanálise. Ele versa não só sobre a duração de um tratamento, mas também sobre quanto tempo dura cada sessão, vertente da discussão que se acentuou principalmente quando da chegada da teoria lacaniana nesse debate. O presente trabalho, portanto, visa fazer esse percurso de maneira pontual, aprofundando-se na vertente da Psicanálise lacaniana, abordando a questão das sessões curtas e a polêmica utilização do tempo lógico.

"Uma pergunta importuna que o paciente faz ao médico, no início, é: 'Quanto tempo durará o tratamento. De quanto tempo o senhor precisará para aliviar-me de meu problema?' Se se propôs um tratamento experimental de algumas semanas, pode-se evitar fornecer resposta direta a esta pergunta, prometendo-se fazer um pronunciamento mais fidedigno ao final do período de prova. Nossa resposta assemelha-se à resposta dada pelo Filósofo ao Caminhante, na fábula de Esopo. Quando o caminhante perguntou ao Caminhante quanto tempo teria de jornada, o Filósofo simplesmente respondeu 'Caminha!' e justificou sua resposta aparentemente inútil, com o pretexto de que precisava saber a amplitude do passo do Caminhante antes de lhe poder dizer quanto tempo a viagem duraria. Este expediente auxilia-nos a superar as primeiras dificuldades, mas a comparação não é boa, pois o neurótico pode facilmente alterar o passo e, às vezes, fazer apenas progresso muito lento. Na verdade, a pergunta relativa à duração de um tratamento é quase irrespondível." (Freud, 1913/1969, págs.169-170)

O que constatamos na clínica é que muitos pacientes começam um processo de atendimento, seja ele uma psicoterapia ou uma psicanálise, muito curiosos e ansiosos acerca do término, do final do tratamento. Ficam intrigados com o que se passa sobre essa questão e chegam a falar, já nessa ocasião, com o psicólogo/psicanalista, sobre o que os levaria a, ao começar um tratamento, já estarem "curiosos" com o final. Enfim, muitas "águas rolam" durante o tratamento, muito tempo também e depois eles vão se dando conta das suas próprias questões e das suas variadas amplitudes de passos no seu caminhar único e particular. Na verdade, o que percebemos é que a angústia é o sinal de que algo do real está ameaçando aparecer. Há uma angústia no início, que remete à angústia do final, daí um dos motivos de, desde o começo, já se visualizar a conclusão do tratamento.

Através da teoria, mas também e principalmente da experiência clínica, pode-se constatar hoje que o tempo em análise é uma questão bastante relativa. Falo aqui não só do tempo que leva uma sessão, mas também de quanto tempo dura uma análise. Para cada paciente há que se ater à sua particularidade; o psicanalista deve tomar cada caso clínico, cada nova pessoa que lhe chega ao consultório com uma demanda de análise, como se fosse o primeiro, e o tempo vem como uma questão que também deve ser vista caso a caso.

Freud, no começo da sua prática e dos seus estudos, logo se deparou com uma certa dificuldade com essa questão. Atendia diariamente, de segunda a sábado as suas pacientes, só não domingos e feriados. O tempo da sessão era de uma hora e as suas intervenções eram da ordem de interpretações tradutivas, quer dizer, ele buscava traduzir a fala da paciente. Contudo ele tinha problemas em manter as pacientes em análise, elas não ficavam. As chamadas "resistências" apareceram e foram nomeadas; a partir daí surgiu um outro modelo de intervenção terapêutica, onde o analista deveria empreender uma "batalha" contra as resistências da paciente.

Tudo isso foi uma experiência, foi uma prática rica em aprendizado. Desse período sabemos da existência de profissionais vinculados a essas correntes, quais sejam: a arte interpretativa de Melanie Klein, onde se utiliza como técnica terapêutica a interpretação dos conteúdos trazidos pelo paciente; ou também a psicanálise do ego, desenvolvida por Anna Freud, através da qual busca-se dissolver as resistências do paciente.

Freud escutou bem todas as suas pacientes histéricas que lhe pediram pra falar, lhe pediram que as escutasse. E assim foi, Freud estava aberto a aprender também com as suas pacientes.

Mas por que falar sobre interpretação e intervenção do analista, se o tema em debate nesse trabalho é "Tempo em análise", tempo em questão? Faz-se necessária essa introdução, posto que nesse enfoque fala-se sobre transferência, que é o tempo da análise.

"A que isso nos conduz? - senão a colocar de novo que o conceito é o tempo. Nesse sentido, pode-se dizer que a transferência é o conceito mesmo da análise, porque é o tempo da análise." (Lacan, 1954/1983, pág. 325)

Nesse período, o que se colocava como problema era que os atendimentos duravam muito pouco, mas não porque havia se chegado a um final propriamente dito, mas sim porque as "histéricas" iam embora ao serem interpretadas. Contudo, ao contrário de não saber manter as pacientes em análise, com os pacientes obsessivos Freud se deparou com uma questão de não saber como fazê-los ir embora. Ele, ao embaraçar-se com a questão da transferência, comenta que no início tinha dificuldade para manter os pacientes em atendimento, entretanto depois a dificuldade se inverte: já não sabe como fazer para fazê-los ir embora, como finalizar ou concluir o processo de atendimento. E uma análise deve ter um fim, ela não deve durar para sempre. Contudo esse fim deve ser marcado pelo próprio paciente, através do seu ato analítico por excelência de autorizar-se analista.

O verdadeiro ato analítico é o qual o analisante se autoriza analista; é o ato por excelência, pelo qual o analisante se torna analista e marca o final de análise. Mesmo que não haja um término naquele momento, no sentido de interrupção, mesmo que o paciente continue indo para a análise, há um final clínico e muitas vezes ele necessita ainda "freqüentar o divã" para então ir se desligando efetivamente do analista e da análise. Esse ato ressignifica para o sujeito a sua entrada em análise, que também é marcada por um ato, não só seu, de procurar um análise, mas do analista, que o aceitou em análise. A questão inicial da queixa, com o deslizamento para o sintoma, implicando a fantasia, torna-se aí marcante.

Numa entrada em análise se trata de fazer existir o inconsciente, através da regra fundamental "Diga tudo o que lhe vier à cabeça", quer dizer: pense. Esse "eu penso" do início de análise é sustentado pelo Sujeito Suposto Saber, pelo analista que pensa. A entrada em análise está do lado do "eu penso", do lado do inconsciente, já que é a linguagem do inconsciente, enquanto atemporal, que está em jogo numa análise. Lembremos que aqui trabalha-se com o inconsciente, que tem como propriedades: ausência de contradição, caráter atemporal e realidade psíquica.

Entretanto, o final de análise está do lado do "sou, logo não penso", está do lado do real, e não do simbólico; o final de análise vai contra o inconsciente. Enquanto o analista faz o inconsciente funcionar, produzindo deciframentos, sentido, encadeamento lógico; o ato vai contra, instaurando uma descontinuidade, apontando para o sem sentido, fora da lógica, que desconserta o sujeito, fazendo-o mudar de posição diante da sua fantasia particular.

Cada sessão tem um "flash" da análise inteira, quer dizer, todo final da sessão remete a um final da análise, cada sessão contem o final da análise. O ato analítico final ressignifica todos os atos anteriores da análise. O ato, mesmo no corte da sessão, vai contra o saber, vai contra o pensamento, a fala. Diferentemente de dar sentido ao dizer do paciente, fazendo interpretações tradutoras, o analista busca levantar questões, abrir a cadeia significante do sujeito, para fazê-lo deslizar. Para que haja um final de análise, deve-se falar em destituição subjetiva e em atravessamento da fantasia. O que ocorre, então?

Ao longo de uma análise, o sujeito vai sendo levado a abandonar os significantes pelos quais ele se representa. Há uma destituição do sujeito do inconsciente, que é efeito do significante. O sujeito abre mão dos significantes que fazem parte do ideal do eu, abre mão dos seus ideais e destitui o Outro, destitui o analista enquanto sujeito suposto saber. Então, com a queda dos ideais, com a queda do Grande Outro, marca-se a constatação para o sujeito da inconsistência do outro, marcando uma perda de referências para o sujeito. Isso é o que caracteriza o "não penso", o sujeito passa a agir sem pensar, com as pulsões libertas dos seus representantes originais, mantendo, entretanto, uma grande responsabilidade pelos seus atos e suas consequências, já que passa a se implicar no seu dizer. A experiência da fantasia fundamental se torna pulsão, liberta das representações originais. "Eu não penso, logo sou um ser de pura falta": ao final da análise o sujeito se depara com a falta-a-ser, ser um ser de pura falta, como diz Freud, o sujeito se depara com o rochedo da castração. Lacan diz "Fazer da castração sujeito". Levar o sujeito ao ponto de se experimentar como falta.

"A vertente da análise que implica a decifração do inconsciente e o sujeito como efeito do significante é interminável. Jamais se poderá saber tudo devido ao recalque primário. Só a partir do ponto da estrutura fora do significante, onde se denota o ser do sujeito (o sujeito é falta-a-ser), é que um final de análise é possível." (Quinet, 1991, pág.111)

Como falar dessas questões dentro de um "contrato" pré-estabelecido de tempo? Seja de tempo para a duração da sessão, seja de tempo de duração da análise, visto que ambos são correlatos. Se o que regula o ato está para o lado do ser, do "sou onde não penso", e, portanto do não-saber a priori, encontra-se, então, fora do âmbito da análise, todo tipo de previsão, de fixação prévia de prazo.

No sofisma dos três prisioneiros, Lacan (1966/ 1996) fala do tempo lógico, dentro de um tempo curto, já que a pressa traz consigo a certeza antecipada do ato, que finaliza. Ele apresenta três partes, quais sejam:

1- instante de olhar

2- tempo de compreender - certeza antecipada pela pressa

3- momento de concluir

Lacan diz: "Não se deve levar uma análise longe demais." E completa Quinet, "ao se entrar numa sessão sem saber quanto tempo ela durará, se está sob o impacto da pressa, o que precipita o momento de concluir." (Quinet, 1991, pág. 74)

Enquanto Freud diz que a pulsão está entre o somático e o psíquico, Lacan diz que a pulsão está entre o simbólico (significantes) e o real (libido). O contrato, então, iria na vertente do contra-ato, impedindo que o sujeito se expressasse de maneira associativamente livre e desprendido dos ideais.

Não se prevê nem se planeja o tempo, mas Freud diz que a análise é finita e Lacan diz que deve ser "curta", deve-se ter pressa. Apesar de questões profundas do sujeito tomarem um certo tempo, não se pode prolongar um tratamento desnecessariamente; o que está em jogo é a ética do desejo.

Devo fazer menção aqui a um último ponto que considero fundamental, que diz respeito à análise do analista. Enfim, estou falando de um fim possível, na medida em que o próprio analista possibilita isto, visto ter passado, ele próprio, ao menos por um certo atravessamento da sua fantasia pessoal. Só com a possibilidade do analista fazer-se de conta de objeto a é que ele pode presentificar a certeza antecipada do analisante no momento de concluir sua análise, ao fazer o atravessamento da fantasia

"Evidentemente, não podemos exigir que o analista em perspectiva seja um ser perfeito antes que assuma a análise, ou em outras palavras, que somente pessoas de alta e rara perfeição ingressem na profissão. Mas onde e como pode o pobre infeliz adquirir as qualificações ideais de que necessitará em sua profissão? A resposta é: na análise de si mesmo, com a qual começa sua preparação para a futura atividade." (Freud, 1937/1969, pág. 282)

Deixar o paciente deslizar eternamente na sua cadeia de significantes, levaria a análise a um tempo infinito, pois sempre teria algo mais a dizer. Aí há que existir o ato, para trazer a marca do real, do nada, da falta, que marca o ser do sujeito.

Sendo assim, a pressa diz respeito não só à sessão curta para o paciente, que fica submetido ao inesperado, ao imprevisível, podendo se deixar levar pelo seu inconsciente, pelo tempo lógico do seu inconsciente, mas também a tempos mais curtos e finitos de análise, aonde o sujeito vai fazer a travessia que leva da sua impotência à impossibilidade da estrutura, viabilizando o seu funcionamento, a sua mudança de posição diante das suas questões.

A partir da escuta do paciente na sua singularidade, o analista pode e deve fazer cortes, para que esse tempo não seja eterno, mas que ao contrário, tenha uma finitude, já que como nos disse Freud (1937/1969): a análise é infinita (sua vertente simbólica), mas também finita, já nos disse ele (na vertente do real).

Referências bibliográficas
Freud, S. (1969). Obras Completas . Edição Standard Brasileira, Rio de Janeiro: Imago.
- Sobre o Início do Tratamento (Novas Recomendações Sobrea Técnica da Psicanálise I) - vol. XII (Originalmente publicado em 1913)
- Análise Términável lnterminável-vol. XXIII (Originalmente publicado em 1937)
Lacan,J.(1983). O Seminário- Livro1l: Os Escritos Técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 3ª edição.
- O Conceito da Análise (Originalmente publicado em 1954)
_________(1996) . Escritos. São Paulo: Editora Perspectiva.
- Tempo Lógico e a Asserção da Certeza Antecipada-Um Novo Sofisma (Originalmente publicado em 1966)
Quinet,A. (1991) . As 4 + 1 Condições de Análise . Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 4ª edição.
(Cap. III) - Que Tempo Para a Análise?
(Cap. V) - O Ato Psicanalítico e o Fim de Análise
Soler,C. (1995). Variáveis do Fim da Análise . Campinas/S.P:Papirus.
- A Equação do Fim da Análise, em: "Freud e Lacan Sobre o Fim da Análise" (cap. I)
Textos Reunidos Pela Associação Mundial de Psicanálise - A.M.P. (1995). Como Terminam as Análises. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
- A Pressa de Concluir de Freud, em "Os Anos Vinte: O Nascimento da Questão"
- A Força Pulsional em Ação, em "A Análise e Seu Resto: O Testamento de Freud"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sobre Psicanálise


Psicanálise é a ciência/arte que objetiva a transposição inconsciente/consciente. Considerada como a forma de tratamento das neuroses atualmente denominadas “psiconeuroses” tem por norma seu tratamento através de: a) Processo de Livre Associação de Idéias; b) Interpretação dos Sonhos; c) Observação e Análise do fenômeno da Transferência; d) Análise dos Atos Falhos (Parapraxias) e da Resistência. Sua abrangência limita-se:

• Ao método de investigação do inconsciente;
• À psicoterapia baseada nesse método e;
• Ao conjunto de teorias e normas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico.

No dizer de Freud, “é uma profissão de pessoas leigas que curam almas, sem que necessariamente sejam médicos ou sacerdotes”.

O que a Psicanálise não é?


Não é medicina, nem tão pouco psicologia. Entretanto o médico e o psicólogo podem ser psicanalistas e o psicanalista, pode também, ser formado em medicina ou psicologia. Cumpre salientar, porém, que o diploma de médico ou psicólogo não constitui por si só, condição para o exercício da clínica psicanalítica. Há uma obrigatoriedade de “formação em psicanálise”, para tal.

Sendo assim o psicanalista é um profissional clínico que pratica a psicanálise empregando metodologia própria. É o profissional que aplica os princípios, os postulados, as técnicas e os métodos da psicanálise no tratamento ou na prevenção de distúrbios psíquicos de natureza inconsciente, tais como: inadaptações, timidez, impulsividade, sentimento de culpa, desgosto obsedante, escrúpulo excessivo, distrações desagradáveis, dúvidas persistentes, abulias, fobias, obsessões, neurastenias, neuroses de fracasso, etc. e perturbações sexuais e somáticas de origem psíquica.

Como se forma o psicanalista?

No Brasil e no mundo, a Psicanálise é exercida livremente (não é regulamentada), contudo sob critérios éticos bastante rígidos. No nosso caso, no Brasil, seu exercício se dá de acordo com o artigo 5.º, incisos II e XIII da Constituição Federal. Sobre a legalidade da prática profissional psicanalítica, acrescenta-se ainda o Parecer do Conselho Federal de Medicina, Processo Consulta 4.048/97 de 11/02/98. Parecer 309/88 da Coordenadoria de Identificação Profissional do Ministério do Trabalho. Parecer n.º 159/2000 do Ministério Público Federal e da Procuradoria da República, do Distrito Federal, e Aviso n.º 257/57, de 06/06/1957, do Ministério da Saúde, este último como marco histórico.